Friday, July 6, 2007

Cooperar

Vivemos numa era em que reina a competição, a qual constringe a viver na solidão, no individualismo e tantas vezes na angústia; é semente de desconfiança, de suspeitas, de segredos, de mexericos, de egoísmos; gera irritação e cólera, só  permitido ao outro ser um objecto para usar, um meio para eu vencer ou um rival a “queimar”.
Onde encontrar a saída para esta trama? Trata-se de redescobrir a beleza da cooperação, a começar pela vida de família. O sucesso no casamento depende em grande parte da capacidade de cooperar de cada um dos membros do casal, como nos recorda Adler: “Numa região da Alemanha, existe um costume antigo. Antes do casamento, os noivos são levados junto de um grande tronco de uma árvore abatida. É colocada uma serra manual à disposição dos noivos para que sejam capazes de serrar este tronco. Verifica-se se são ou não capazes de cooperar, pois só têm êxito, nesta tarefa, se ambos trabalharem bem em conjunto”.
Todos nascemos de uma “relação”, do sacrifício de si pelo outro que vem ao mundo. Sabemos por experiência própria, que ser cooperativos, solidários e altruístas nos oferece paz e harmonia com a própria consciência, é fonte de saúde, paz interior e gera à nossa volta um clima positivo e sereno.
Posted by N.M. at 00:04:09 | Permalink | No Comments »

Ser assertivos

Wolpe, em 1969, criou uma técnica terapêutica com a finalidade de resolver problemas de origem pessoal e interpessoal, centrada na assertividade.
Em primeiro lugar, há que conhecer o que predomina no nosso comportamento: passividade, agressividade ou a assertividade?
Somos predominantemente passivos, nos momentos em que temos dificuldade em dizer sim ou não a compromissos, em que deixamos de comunicar os nossos sentimentos, temos necessidade de obter sempre a aprovação e o louvor dos outros, medo de errar…
Poderemos considerar-nos agressivos, quando queremos que os outros se comportem como nós gostamos, não modificamos nunca as nossas opiniões, decidimos pelos outros, não aceitamos que podemos errar, não pedimos nunca desculpa…
Somos assertivos quando aceitamos o ponto de vista dos outros, não julgamos, não inferiorizamos ou culpabilizamos os outros, escutamos o que têm para nos dizer, somos capazes de mudar de opinião; sem permitir que nos manipulem, procuramos sempre colaborar com os outros.
É uma maravilha viver e conviver com pessoas assertivas! Todos podemos aperfeiçoarmo-nos nessa direcção. Basta começarmos pela auto-observação das nossas reacções e o modo como nos relacionamos com os outros. Ao detectarmos comportamentos passivos ou agressivos treinemo-nos a mudar um de cada vez…
Posted by N.M. at 00:03:21 | Permalink | No Comments »

Livres para amar

Cada vez mais a Psicologia actual vai descobrindo o amor como liberdade e não simplesmente como  apego, mais ou menos condicionado pelos relacionamentos da infância. Trata-se assim de um amor que liberta porque não nos faz sentir sufocados por ninguém. Um amor que quanto mais se divide por mais pessoas, mais cresce. Amor inteligente, que conhece a fundo o outro e procura o que é realmente o melhor para o outro. Um amor capaz de dizer não e de obrigar a parar…, mas também criativo e de inventar mil modos de entrar em relação com os outros.
Urge cultivar o verdadeiro amor, em tempos de banalização e despersonalização crescentes.
Posted by N.M. at 00:02:33 | Permalink | No Comments »

A Ponte do Perdão

A Psicologia procura sempre proporcionar paz interior, mas sem a capacidade de dar e receber o perdão é impossível a serenidade da mente.
É necessário, então, atravessar a “ponte do perdão”, entrar na lógica do amor incondicionado e através dela descobrirmos que todos merecem o nosso amor sem reservas.
Atravessar a ponte do perdão significa percorrer a ponte mais importante do universo, pois é passagem obrigatória para se experimentar a felicidade verdadeira.
Mesmo se uma parte de nós, onde reina o medo, o juízo, a desconfiança, …, usa sempre todos os meios para afastá-la da nossa vista, a ponte do perdão está sempre ali e convida-nos a atravessá-la. Assim, é sempre possível curar, fazer renascer e renovar o nosso relacionamento com Deus, com os outros e connosco próprios.
Posted by N.M. at 00:01:42 | Permalink | No Comments »

Passado e presente

A Psicologia, em especial a Psicanálise, ensina-nos que a nossa história não pode mudar-se, porém é possível alterar as consequências do nosso passado no presente.
Neste processo, é muito importante a luz da Fé, que proporciona a vivência espiritual no momento presente e dá sentido e finalidade à experiência psicológica. Assim, a nossa história pessoal em vez de ser um lugar fechado, de angústia, pode transformar-se num trampolím, num motor, para uma vida que avança a partir do que somos em direcção ao que devemos ser, ou seja, realizar na vida de cada dia o que Deus sonhou e sonha para cada um de nós!
Posted by N.M. at 00:00:58 | Permalink | No Comments »

Que nome lhe daria?

Não se pode discutir a questão do aborto simplesmente como uma questão biológica e científica. Independentemente das convicções e dos valores que configuram a sua vida, nenhuma mulher chega ao aborto, sem um protesto da sua consciência, pois a recusa de tal acto está inscrita no íntimo de cada um, no inconsciente.
Após a fecundação, o que a mulher leva no seu seio não é simplesmente um conjunto de células, é um ser humano a crescer velozmente e são impossíveis “absolvições” ou “justificações psicológicas” para a interrupção deliberada da gravidez.
Mesmo nas situações mais dramáticas e quando no horizonte se coloca como possibilidade o recurso ao aborto é preciso parar e perguntar-se: “Que nome daria à criança se viesse a nascer?”
Posted by N.M. at 00:00:06 | Permalink | No Comments »

Thursday, July 5, 2007

Escutar é amar

Começamos a estabelecer verdadeiras relações afectivas quando em todos os nossos contactos humanos nos empenhamos em escutar com amor, ternura, disponibilidade e compreensão.
Ouvir atentamente não significa necessariamente estar de acordo com tudo o que se escuta. Escutar com amor não é sinónimo de dizer sim a tudo e deixar de colocar limites. Significa dar aos nossos filhos, amigos, colegas de trabalho, cônjuges … tempo e espaço para serem ouvidos, não somente nas palavras que dizem, mas prestando atenção às emoções e às urgências que exprimem.
Um modo útil para aprender a ouvir os outros é reservar um pouco de tempo em cada dia para tranquilizar as nossas mentes, ouvir os nossos próprios pensamentos e depois abrirmo-nos aos outros.
Posted by N.M. at 23:58:50 | Permalink | No Comments »

Que sentido para a velhice?

Na nossa sociedade há pouco espaço para os anciãos, mas a história ensina-nos que a velhice não é impedimento para a criação de obras imortais. Bastaria pensar em Verdi, Miguel Ângelo, Tolstoi, que escreve “Ressurreição” aos 71 anos e tantos outros.
Falamos de grandes expoentes da arte, mas artistas da vida de cada dia podemos e devemos ser todos, pois a “arte de viver”, sempre ligada à “arte de amar”, é a mais nobre de todas. Trata-se de não renunciar nunca aos próprios ideais, pois se os anos enrugam a pele, perder os ideais enruga a alma.
Poder-se-ía comparar a vida ao percurso do sol, desde a alba ao esconder-se no fim da tarde. Nasce da obscuridade e mergulha de novo na penumbra. Assim a vida psíquica: a criança “nasce” do inconsciente, desenvolvendo o consciente até à maturidade, para depois tender docemente de novo para o “inconsciente” no período da velhice. Por isso se diz que os idosos se tornam de novo crianças.
A melhor forma de enfrentar a velhice é viver responsavelmente o momento presente, oferecendo a todos, especialmente aos mais jovens, a experiência e a sabedoria, a tal “arte de viver”: que sabe superar as situações difíceis e descobrir o essencial. Não é por acaso que o psicanalista Otto Rank define o neurótico como “artista falhado”.
Na tarde da nossa vida colhemos aquilo que semeámos, não só do ponto de vista material, mas também espiritual e, sobretudo, afectivo.
Os idosos podem ser verdadeiros artistas da vida e ensinar esta arte a todos.
Posted by N.M. at 23:57:56 | Permalink | No Comments »

Maturidade

Certo dia, perguntaram a Freud quando é que uma pessoa está psicologicamente madura. Ele respondeu: “A pessoa madura ama e trabalha em liberdade”.
Freud relaciona o amor (a qualidade das relações interpessoais) e o trabalho (relação prática com o mundo exterior) dinamicamente com a liberdade.
Na vida, o que conta é a qualidade do amor e esta depende do grau de liberdade interior com que se vivem as relações interpessoais. Também não basta ser eficiente, pois a nossa sociedade gera muita gente activa, mas ansiosa, que, pelo trabalho, foge dos seus conflitos latentes.
A pessoa madura sabe, então, aceitar-se a si mesma e ser exigente consigo, sem cair em contradições. A maturidade acontece quando o ser humano não está centrado somente sobre si próprio. À maneira do boomerang, que só volta ao caçador se erra o alvo ao ser lançado, assim o homem volta a girar sobre si próprio se falha na sua liberdade, no amor e no trabalho.
Posted by N.M. at 23:57:03 | Permalink | No Comments »

Como crianças …

Como é possível conciliar o convite de Jesus a tornar-se crianças (Mt 18, 3) com a necessidade de cada um se desenvolver humana e espiritualmente?
Há que distinguir infância espiritual do infantilismo. Como ensina Louis Beirnaert o infantilismo caracteriza-se  pela passividade e pelo angelismo. Recebem-se sem mais as orientações dos mais velhos ou superiores e a dependência pode levar ao desaparecimento de personalidade própria. Evitam-se a todo o custo os riscos e os possíveis conflitos desagradáveis.
Confundir infância espiritual com o angelismo infantil, pode leva o adulto a atitudes angélicas e irreais: à ignorância deliberada do mal, à ingénua pureza do coração, a uma desarmante e comovente debilidade. Trata-se de uma fuga da realidade.
Então o que é, em termos psicológicos, a infância espiritual de que fala Jesus? Trata-se de recuperar, no adulto, atitudes interiores de total confiança em quem amamos, candura e capacidade de surpresa e maravilha diante das coisas belas, segurança tranquila e ausência de atitudes artificiais ou teatrais, estimulo constante da criatividade, ao ponto de se “jogar criativamente o significado da existência”.
Uma pessoa madura e que se torna uma segunda vez crianças é alguém que sabe olhar sempre de novo as pessoas e as coisas, jogar criativamente com a realidade, enfrentando-a com simplicidade, que se sabe concentrar-se no momento presente, o qual tem o perfume do eterno.
Esta segunda inocência, mesmo se a descrevemos psicologicamente, só pode ser conquistada na dimensão espiritual: é dom do amor de Deus. É muito belo a este propósito o texto da psicanalista Maryse Choisy: “O santo não está acorrentado à sua infância, mas é caracterizado por uma constante disposição para novas emoções, graças a uma perfeita juventude da sua sensibilidade. Libertou-se da sua infância e em cada dia festeja os seus primeiros três anos”.

Posted by N.M. at 23:56:02 | Permalink | No Comments »