A Raiva
São muitos os jovens adolescentes que nem sequer querem ouvir os seus pais, reagindo quase sempre agressivamente. Não é preciso procurar muito para descobrir o marido que por tudo e por nada se zanga com a esposa cansada e preocupada. Recorde-se a mulher nervosa, que não admite a mais pequena observação e ainda o empregado que ao chegar a casa atormenta a família com palavrões sempre que o seu chefe estava de mau humor.
Falamos da raiva, resíduo em nós do reino infantil do capricho e das emoções sem controle. Basta observar a reacção das crianças pequenas quando são contrariadas: desatam a berrar, logo naquela circunstância em que era preciso silêncio. A criança é prepotente e agressiva, porque no fundo não consegue captar a diferença entre o próprio “Eu” e o mundo que a circunda.
O adulto comporta-se com raiva porque tem medo de não ser suficientemente importante, reconhecido e amado. O seu “Eu” enche-se de furor para mascarar o sentimento de insegurança.
Urge cultivar com paciência e perseverança, em tempo quaresmal, a mansidão. É oportuno recordar e fixar as sábias palavras de Hugo de S.Vitor: “A soberba tira-me Deus, a inveja o próximo, a ira a mim mesmo”.
N.M.