Monday, July 7, 2008

Ser Pai

A experiência da paternidade/maternidade está profundamente enraizada na condição humana, sendo evidentes e profundas as mudanças que progressivamente se vão verificando nas últimas décadas na cultura ocidental, no que se refere do ser pai. É hoje muito frequente encontrar o pai como o progenitor activo, envolvido na prestação de serviços à criança –– mudar fraldas, dar banho, interagindo frequentemente com ela, partilhando tarefas domésticas e de educação –– em que  as dimensões instrumentais são equilibradas com as emocionais e afectivas.

 Podemos assim compreender melhor que Deus-Pai não é aquela figura distante e longínqua que nos foi transmitida ao longo de gerações, mas é um Pai que estabelece preferencialmente uma relação marcada pela ternura, pelo amor, pelo respeito e pela confiança, que se identifica mais com o Pai que nos revelou Jesus Cristo. Aliás, quando Cristo chama a Deus de Abba remeteu os seus contemporâneos para a experiência vital da relação humana pai/filho, experiência que indiciava contornos de uma proximidade e intimidade que os escribas e fariseus consideraram escandalosos, funcionando como um dos argumentos mais decisivos para O condenarem à morte.

A visão de complementaridade e cooperante a que se vai chegando na cultura actual sobre o ser pai e o ser mãe e o reconhecimento da sua importância no desenvolvimento das futuras gerações ajuda-nos a perceber, através desta matriz humana, que o Deus dos cristãos, Aquele que Jesus nos revelou no Evangelho é um Deus com um rosto de Pai e de Mãe, a quem podemos chamar de papá (Abba), sendo a grande referência ética e simultaneamente de ternura e Amor.

N.M.

Posted by N.M. at 18:34:18 | Permalink | No Comments »