Que nome lhe darias?
Segundo um estudo recente da Direcção-Geral de Saúde, o Hospital de S.Teotónio, em Viseu, realizou em 2007, 103 abortos a pedido. O concelho de Viseu lidera os pedidos de aborto (37) e segundo este estudo cada mulher esperou cerca de 2,7 dias pela consulta prévia para realizar o aborto.
O acesso ao serviço para a interrupção foi efectuado, em 63 por cento dos casos, por iniciativa da própria mulher, embora cerca de 15,5 tenha sido encaminhada pelos centros de saúde. A maioria das mulheres, 54 por cento, que efectuaram uma IVG na região Centro vivem em casal e o nível de instrução mais representativo é o Ensino Secundário, seguido do Ensino Superior. Em 30, 7 por cento dos casos, a mulher é uma trabalhadora não qualificada. As estudantes constituem 16,3 por cento dos casos e 11,5 por cento são desempregadas. Para 88 por cento é a primeira interrupção que realizam e encontravam-se entre a sétima e a nona semana de gestação. O estudo revela, ainda, que a maioria das mulheres da região centro que recorreram ao aborto voluntário não estiveram em nenhuma consulta, no último ano, para a utilização ou controlo de métodos contraceptivos
O Hospital de S.Teotónio é a única instituição de saúde da rede de hospitais públicos do distrito que efectua a IVG até às dez semanas de gestação.
Não se pode discutir a questão do aborto simplesmente como uma questão biológica, científica ou de saúde. Independentemente das convicções e dos valores que configuram a sua vida, nenhuma mulher chega ao aborto, sem um protesto da sua consciência, pois a recusa de tal acto está inscrita no íntimo de cada um, no inconsciente.
Após a fecundação, o que a mulher leva no seu seio não é simplesmente um conjunto de células, é um ser humano a crescer velozmente e são impossíveis “absolvições” ou “justificações psicológicas” para a interrupção deliberada da gravidez.
Mesmo nas situações mais dramáticas e quando no horizonte se coloca como possibilidade o recurso ao aborto é preciso parar e perguntar-se ou alguém perguntar: “Que nome darias à criança se viesse a nascer?” N.M.
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